A falta de estudos sobre o tema impulsionam pesquisadores do Rio de janeiro a aprofundarem sobre o tópico
É consenso para “todos” que em plantação de bananas é mais fácil encontrar morcegos, mas são raros os estudos sobre os animais destas plantações. Este foi o incômodo do grupo de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Diante da falta de dados comprovados sobre o tema, Julia Lins Luz e outros nove pesquisadores decidiram aprofundar e apresentar resultados sobre a presença de morcegos em bananais.
Duas pesquisas foram desenvolvidas e apresentadas no IV EBEQ durante a tarde do dia 15 de abril. Segundo a convidada, o objetivo das pesquisas, que ainda estão sendo desenvolvidas, é ver como as plantações afetam os morcegos de modo geral. “Queremos saber a quantidade de morcegos na área rural e o número de diferentes espécies que podemos encontrar”, diz. Mas a pesquisadora alerta que os resultados seriam diferentes caso a pesquisa fosse realizada em área preservada.
Para o estudo o grupo da UFRRJ, Julia conta que já podem considerar que morcegos insetívoros (que se alimentam de insetos) quase desaparecem nas plantações de bananas; que a comunidade, o número, as espécies se estruturam de formas diferentes do que já foi pesquisado em outros locais e que não é possível comparar os resultados a áreas de florestas e/ou matas. Como resultados positivos, ela destaca que existe uma abundância de animais, um número de espécies razoável [diante das que existem no país] e a dispersão de sementes nativas.
Foto: Marcella Tait
Questionamentos da platéia demonstraram interesse e curiosidades dos pesquisadores
Com pequenos blocos de bananais, neste momento o grupo apresenta uma variável de que um corredor de bananas em áreas limpas de pastos pode proporcionar passagens de animais e criar um fluxo gênico, mas as considerações ainda estão em fase de testes. A variável se dá por estudos anteriores afirmarem que algumas espécies dificilmente cruzam grandes áreas de pastos, a não ser que no caminho tenha algum alimento. Com base nessas informações, Julia sugeriu a possibilidade do corredor de bananais.
É mesmo cedo para afirmações, mas ela percebe a necessidade de outros pesquisadores pensarem e discutirem sobre o assunto a fim de trazer novas contribuições para o estudo de morcegos. Para isso a pesquisadora ressalta a importância de eventos como o EBEQ.
Áudio
Quem se interessou no tema da pesquisa de morcegos em bananais e tiver interesse nos métodos e os resultados descobertos até o momento, pode acompanhar o áudio a seguir em que a pesquisadora Julia Lins Luz apresenta o trabalho realizado.


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