Pesquisadores apresentam ideias de consciência e ética no estudo de morcegos
Durante a palestra “O limite ético do matar morcegos: da necessidade ao hábito vivissecionista”, os palestrantes foram didáticos em suas explicações. Entre muitas abordagens do tema, o respeito ao ser vivo foi abordado constantemente.
O professor e pós-doutor em zoologia pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), Wilson Uieda foi taxativo ao afirmar que só é necessário coletar os animais, caso a espécie seja desconhecida ou a área de estudo ainda não tenha sido explorada. Do contrário, essa prática acaba tornando-se desnecessária e, muitas vezes, cruel.
“Eu trabalho há 20 anos e se um morcego passar por mim, já sei até quem é. E se bobear, eu digo até o sexo dele”, brinca. “Não vou ficar coletando por coletar, não é preciso sacrificar.”
Afirmando a ideia de Uieda, o professor e pós-doutor em veterinária José Ricardo Pachaly afirma que é necessário avaliar e buscar informações sobre o local antes de iniciar qualquer trabalho com os morcegos. Caso seja importante recolher os animais, é preciso que se aproveite ao máximo o material, até mesmo por uma questão ética. “Só assim teremos um trabalho consistente”, complementa.
Foto: Altieres Rohr
Professores debatem sobre o limite ético do matar morcegos
Durante as explicações, o professor e pós-doutor em zoologia pela UEFN (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Marcelo Nogueira chama a atenção para o bom senso dos pesquisadores, alertando que é fundamental pensar analiticamente antes da tomada a campo. Ele questiona um ponto interessante a ser pensado.
“O que devo fazer em termos gerais? Devo matar ou liberar esses animais depois da fazer o que pretendíamos?” Segundo ele, existem diferenças que são decisivas na hora da resposta. Muitos acreditam que pelo motivo dos animais serem pequenos e mais fáceis de serem capturados, não exista problema na coleta de todas as espécies, seja ela rara ou comum.
“Será que eticamente eu devo considerar os dois iguais?” indaga. “A questão ética é muito diferente quando se fala em pequenos anfíbios, serpentes, morcegos e quando se fala numa onça pintada. É preciso bom senso.”


0 comentários:
Postar um comentário